quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Perfurado
Espinho por espinho, cada um deles saindo lentamente. E o sangue jorra. Jorra muito a cada espinho que sai. A cada batida do coração, cada vez que ele se contorce, um espinho se move mais um pouco para fora. Duas batidas do coração, o espinho sai, deixando atrás de si um pequeno buraco. Pequenos são os buracos, mas o sangue jorra em abundância desses furos de agulha. E o coração continua assim, libertando-se de seus espinhos e sangrando. O sangue vermelho tingindo a tudo por perto, afinal o coração o expele com grande força. Ele vai e não volta. Abandona em definitivo aquele coração pulsante. Pulsante e vermelho, mas o coração parece perder um pouco de sua força cada vez que um pouco de sague sai dele, sua pulsação cada vez mais fraca e lenta, mas o sangue ainda jorra. O coração já quase morrendo, mas o sangue continua a sair, não jorra mais, escorre, escorre porque o coração já não é mais forte como costumava. O coração já não agüenta mais e agora a pulsação é difícil de ser percebida, de tão fraca que se tornou. Já não tem mais força este coração. Já não tem mais sangue este coração. Já não tem mais cor este coração. Tornou-se parado este coração. Tornou-se frio este coração. Tornou-se cinza este coração. Tornou-se, por fim, um coração de pedra.
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Um comentário:
*-*
Seu melhor texto, na minha opinião! XD
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