
Escrevo estas palavras com sangue,
Sangue que deveria ser rubro,
Mas não o é.
Sangue que é negro,
Negro como tinta,
Negro como a lua que me olha.
Pensa você que minto,
A Lua é branca, pensa você.
E digo-lhe que tem razão,
A sua Lua é branca.
Mas a minha lua é negra,
Negra como o sangue que se esvai de mim,
Que está agora nas pontas de meus dedos,
Para escrever este poema não poético,
Possivelmente patético.
Este grito surdo de um homem que não tem certeza,
Não tem certeza de nada,
Nem se é homem ainda.
Talvez seja somente um reflexo do que já foi.
Talvez, ainda pior, seja agora o que sempre foi.
Talvez, menos pior, não seja nada disso.
Mas o sangue, negro como a lua acima,
Esvai-se a uma velocidade incrível
E ainda sim fico impassível
Não pensando na morte,
Essa já não me assusta,
Pensando na minha falta de tinta.
Pois morrer é não poder escrever,
E escrever é morrer,
Pois tudo que escrevo, escrevo com sangue.
Um comentário:
entre a morte e a morte, melhor aquela morte que tem um pouco de poesia...
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