Um corpo contorcido, frio, por dentro, deitado na cama. Não sabe o porquê exatamente está ali. Convenção social, talvez, pensa. Está embaixo de três cobertores. Somente os pés ainda frios. Quer dizer, os pés e a alma. É possível ver o azul profundo da alma, brilhante, azul de frio, não de paz, como é costume. Está retorcida esta alma, diminuta, como o corpo, tentando esquentar-se usando a si mesma. O corpo esquentou-se levemente, agora os pés já não mais tão frios. Está coberto e consegue esquentar-se devagar. A alma, entretanto, paira lá, sozinha, sem cobertura alguma. Treme. Enfraquece. E continua contorcida, agarrada em si mesma, buscando esquentar-se. O corpo dorme e a alma continua a tentar se esquentar. Estabiliza-se por fim, pequena, minúscula perante o que poderia ser. Com frio, entristecida por estar reduzida a tal tamanho ridículo a alma se inquieta e o sono do corpo é perturbado. Não acorda, entretanto, está por demais cansado para levantar-se. Se a alma não está bem, eu preciso ficar bem, quase é possível escutar o corpo dizendo. E a alma resigna-se, toma seu lugar, fria, azul, encolhida. O corpo esquenta-se por si só. A alma treme e quase se apaga. A esperança a mantém acesa. A alma não mantém lembranças como o corpo, mas sabe que foi maior, que pode ser maior. Espera, anseia por tal oportunidade. Cresce um pouco e acalma-se.
Acordo como se tivesse passado a noite fora de meu corpo. Talvez tenha sido o que aconteceu... Não lembro o que vi. Sinto-me acordado, mas algo me deixa cansado. Estranho, dormi bastante esta noite, mais do que o costume. O telefone toca. Escuto aquela voz familiar e algo dentro de mim cresce um pouco...
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