domingo, 1 de agosto de 2010

O peso da solidão

Deito em minha cama, sozinho. Minha cabeça lentamente afunda no travesseiro enquanto eu afundo lentamente em minha solidão. A escuridão me abraça com seus leves braços aconchegantes. Reviro-me em minha cama, indo de um lado ao outro com meu corpo. Um só tentando preencher o espaço de dois, tentando criar uma ilusão de duplicidade. Percebo a mentira que meu corpo tenta criar, embora isso não mude o fato que às vezes ela funciona. É a melhor maneira. O silêncio é quase total, fora pelo leve barulho de minha respiração. Não tenho certeza se gosto dele... Mudo de opinião a cada vez que expiro e inspiro novamente. Neste momento não vivo, meramente estou aqui, preenchendo um espaço, sem importância. O fato me alivia um pouco. Ou talvez não. Gosto de dar-me mais importância que de fato tenho, todos gostamos. Ao menos na maior parte do tempo. O som de minha respiração pára. Não, não estou morto. Ele só estava me irritando. Passo dias segurando o ar dentro de meus pulmões. Ao menos parecem ter sido dias. Acendo meu abajur e vejo que não se passaram nem 2 minutos desde que deitei. Desisto. Durmo completamente envolto em mim mesmo. Tenho milhares e milhares de sonhos, um durando cada vez mais que o outro. O ar ainda parece estar preso dentro de meus pulmões, mas agora força a saída. Explodo.
Acordo gritando, todo o ar que meus pulmões conseguem segurar saindo de uma só vez num grito inumano, mas completamente normal. Não gritei de pavor. Gritei para voltar à vida. Morri a cada final de sonho que tive, vivi milhares de vidas em apenas algumas horas. Acendo a luz. Não, foram meros 15 minutos. Maldito relógio, tenho vontade de atirá-lo ao chão. Por que não? Agarro e atiro ao chão. Vejo-o espalhar-se em milhares de pedacinhos. Pisco e nada aconteceu. Solidão... Ela pesa, esmaga, tira o meu fôlego. Desmaio de solidão. Ao menos dormi. Ou morri. Não interessa... Paz. Estou em paz. Ao menos por algumas horas.

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