
Eu escutei um grito, agudo, forte e irreal. Olhei para trás e ainda a vi caindo. Não sabia exatamente o que tinha acontecido, a rua estava silenciosa e o som do corpo dela atingindo o chão despertou-me de minha paralisia momentânea. Corri até ela, o tempo andando muito devagar. Ela estava a alguns passos de mim, mas pareceram-se passar anos até eu chegar até onde ela estava. Tirei o meu celular do bolso e liguei para emergência. O olhar no rosto dela era terrível... Alguém a tinha esfaqueado. Ela sabia que não sobreviveria, eu também sabia. Agarrei a mão dela e fiz sinal para que não falasse e pus uma de minhas mãos no ferimento, tentando estancá-lo.
- Você vai ficar bem, menti, só não fale, você vai ficar bem.
Ela me olhou como nunca tinha olhado antes. Segurou meu rosto, eu começara a chorar, lágrimas escorregando levemente por minhas bochechas, ela enxugou uma de minhas lágrimas. Segurei a mão dela o mais forte que pude.
- Eu te amo.
Minha voz mal saiu. Ela sorriu como se me dissesse que já sabia e que também me amava. Ela também chorava.
Ouvi a ambulância chegar ao longe. Era tarde demais. Eu tentara estancar o sangue, mas não foi o suficiente. Ela morrera alguns segundos antes de eu ouvir a ambulância chegar, mas anos pareceram se passar para mim. Algo dentro de mim morrera junto com ela. Olhei para minha mão cheia de sangue, ainda quente. Eu também estava morto.
[Imagem de Mohzart]
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