Sozinho, sento-me em frente a esta tela brilhante e colorida nesse dia acinzentado. As palavras espalhadas pela tela me fazem companhia. Tenho coisas a fazer, mas não as faço. Preguiça, eu diria. Não faço nada de interessante. As letras que me fazem companhia não são muito interessantes. O azul, vermelho, amarelo e verde sempre presente em minha tela zomba de mim. Dá-me acesso a tudo, ainda sim, fico aqui sem fazer nada. É somente mais um dia com coisas que deveriam ser feitas, mas que ficarão para mais tarde. Talvez mais tarde ainda hoje, talvez somente amanhã ou talvez nunca. Não sei. O assunto não me interessa muito, então não penso em demasia sobre o fato. Sinto-me cansado desse nada, mas aprecio a minha companhia brilhante dessa tela. Ah, essa ilusão de estar acompanhado. Fantasmas eletrônicos, sozinhos junto comigo. Deveria fazer algo com alguma utilidade. Mas no final, que importa? O dia continua cinza, mas agora a tela está negra, desliguei-a. Não sei o porquê na verdade, acho que me irritei com aquelas letras. Azul, vermelho, amarelo, azul, verde e vermelho. Uma porta para tudo. Nem sei por onde começar, então, não começo. Desisto. Por hora.
domingo, 12 de setembro de 2010
Tela brilhante
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Sangue Negro

Escrevo estas palavras com sangue,
Sangue que deveria ser rubro,
Mas não o é.
Sangue que é negro,
Negro como tinta,
Negro como a lua que me olha.
Pensa você que minto,
A Lua é branca, pensa você.
E digo-lhe que tem razão,
A sua Lua é branca.
Mas a minha lua é negra,
Negra como o sangue que se esvai de mim,
Que está agora nas pontas de meus dedos,
Para escrever este poema não poético,
Possivelmente patético.
Este grito surdo de um homem que não tem certeza,
Não tem certeza de nada,
Nem se é homem ainda.
Talvez seja somente um reflexo do que já foi.
Talvez, ainda pior, seja agora o que sempre foi.
Talvez, menos pior, não seja nada disso.
Mas o sangue, negro como a lua acima,
Esvai-se a uma velocidade incrível
E ainda sim fico impassível
Não pensando na morte,
Essa já não me assusta,
Pensando na minha falta de tinta.
Pois morrer é não poder escrever,
E escrever é morrer,
Pois tudo que escrevo, escrevo com sangue.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Perfurado
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Sangue...

Eu escutei um grito, agudo, forte e irreal. Olhei para trás e ainda a vi caindo. Não sabia exatamente o que tinha acontecido, a rua estava silenciosa e o som do corpo dela atingindo o chão despertou-me de minha paralisia momentânea. Corri até ela, o tempo andando muito devagar. Ela estava a alguns passos de mim, mas pareceram-se passar anos até eu chegar até onde ela estava. Tirei o meu celular do bolso e liguei para emergência. O olhar no rosto dela era terrível... Alguém a tinha esfaqueado. Ela sabia que não sobreviveria, eu também sabia. Agarrei a mão dela e fiz sinal para que não falasse e pus uma de minhas mãos no ferimento, tentando estancá-lo.
- Você vai ficar bem, menti, só não fale, você vai ficar bem.
Ela me olhou como nunca tinha olhado antes. Segurou meu rosto, eu começara a chorar, lágrimas escorregando levemente por minhas bochechas, ela enxugou uma de minhas lágrimas. Segurei a mão dela o mais forte que pude.
- Eu te amo.
Minha voz mal saiu. Ela sorriu como se me dissesse que já sabia e que também me amava. Ela também chorava.
Ouvi a ambulância chegar ao longe. Era tarde demais. Eu tentara estancar o sangue, mas não foi o suficiente. Ela morrera alguns segundos antes de eu ouvir a ambulância chegar, mas anos pareceram se passar para mim. Algo dentro de mim morrera junto com ela. Olhei para minha mão cheia de sangue, ainda quente. Eu também estava morto.
[Imagem de Mohzart]
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Rumos.
Perambulava sem rumo por aí. Sem começo nem fim, minha rota estendia-se ao infinito, delimitada somente pela as forças de minhas pernas. O horizonte estende-se até onde não vejo nada além de pequenos pontos cinza. O mundo é acinzentado, preto e branco misturam-se em um gradiente sem nenhum padrão. Caos organizado em um mundo que só quem fica louco consegue entender. Caminho em direção a minha sanidade... Sendo engolido por cada rua, eu avanço, mas a distância que me falta para chegar parece cada vez aumentar mais. Aumento o passo, corro, parado, em direção ao explicável, e cada vez mais o inexplicável me atinge como um punho de ferro. Esmaga-me e destrói-me para eu me levantar, não mais forte só levemente mais resistente. Engano-me a cada esquina, acreditando ter chegado ao meu destino, embora saiba que eu nunca o atingirei. Canso. Descanso. Volto a correr, já não parado. Entro em prédios, adentro em pessoas, sempre procurando a razão. Sinto que deveria ficar louco para encontrar a verdadeira lógica deste caos organizado.
Desisto momentaneamente. Paro. Penso na irrealidade de minha busca eterna. No final, serei mais nada que uma lembrança. Desisto de desistir. Sinto-me sendo engolido por tudo e por todos. Percebo que talvez a única razão esteja dentro de mim. Outra jornada. Outra vida.segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Frio...
Acordo como se tivesse passado a noite fora de meu corpo. Talvez tenha sido o que aconteceu... Não lembro o que vi. Sinto-me acordado, mas algo me deixa cansado. Estranho, dormi bastante esta noite, mais do que o costume. O telefone toca. Escuto aquela voz familiar e algo dentro de mim cresce um pouco...
domingo, 1 de agosto de 2010
O peso da solidão
Acordo gritando, todo o ar que meus pulmões conseguem segurar saindo de uma só vez num grito inumano, mas completamente normal. Não gritei de pavor. Gritei para voltar à vida. Morri a cada final de sonho que tive, vivi milhares de vidas em apenas algumas horas. Acendo a luz. Não, foram meros 15 minutos. Maldito relógio, tenho vontade de atirá-lo ao chão. Por que não? Agarro e atiro ao chão. Vejo-o espalhar-se em milhares de pedacinhos. Pisco e nada aconteceu. Solidão... Ela pesa, esmaga, tira o meu fôlego. Desmaio de solidão. Ao menos dormi. Ou morri. Não interessa... Paz. Estou em paz. Ao menos por algumas horas.