sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Corpo sobre Corpo

Estávamos juntos há uns três meses. Eu ficava inebriado na presença dela. Morávamos no mesmo prédio, ela passava quase todas as noites em meu apartamento. Tínhamos uma relação completamente carnal. Às vezes ela sumia por alguns dias, geralmente nos finais de semana, nunca me avisava e eu não me importava.

Aquela vez eu me importei, não sei exatamente o porquê. Ela sumiu na quarta e só reapareceu na terça feira. Decidi então que deveria pedi-la em namoro. Convenci-me que a amava. Decidi que faria isso no sábado e ela sumiu novamente. Quase perdi a coragem. Quando ela voltou, na terça, fizemos amor e já na cama, ela fumando seu habitual cigarro eu fiz a proposta.

- Sabe, acho que deveríamos namorar...

Falei como se não me importasse tanto.

- Acho que não. Pra que?

Não era bem a reação que eu queria. Sentei-me, encostado na cabeceira da cama.

- Eu te amo.

Ela me olhou por alguns segundos.

- Não ama não...

- O quê?

Ela não poderia ter dito aquilo. Pegou minhas mãos e as foi passando pelo seu corpo nu.

- Não me ama não. Ama meu corpo. Meu corpo que fica sobre o seu quase todas as noites. E quer garantia de tê-lo só para si. Não se finja de ingênuo.

Ela desarmou-me. Mas eu tinha sido ingênuo, realmente acreditei que a amava. 22 anos e ainda ingênuo como uma criança.

- Não precisa me dizer nada...

Beijou-me e subiu em cima de mim.

Nenhum comentário: