sábado, 27 de outubro de 2012
Shortie
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Dois/Um
Jogou-a na cama, fazendo ela deitar-se e deitou por cima dela. Ficaram assim por algum tempo, sentindo o corpo um do outro, ele tentando não deixar todo seu peso por cima dela, um pouco de medo de esmagar aquele corpo mais novo, mais leve e frágil. Ela gostava de sentir o corpo dele por cima dela, a pressão do peso dele, o contato dos corpos, era quase uma overdose de contato. Ele respirava pesadamente no pescoço dela e ela gemia baixinho enquanto os dois, ele agora sem medo, apertavam-se as mãos e os corpos, confundindo onde ele acabava e ela começava. A ansiedade que os dois sentiam dando lugar ao prazer.
O ritmo aumentava, aumentava e aumentava, e a respiração dos dois começava a tornar-se ofegante. O ritmo já no ápice e os dois apertavam-se ainda mais, como se tentassem grudar seus corpos um no outro. O êxtase chega: intenso e explosivo. O ritmo diminui e a respiração lentamente volta ao normal. E os corpos continuam unidos. Dormem assim, um junto ao outro.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Tempo
Sentado na cama, ele observava-a dormindo. A falta de preocupação no rosto, uma paz. Os últimos dias tinham sido muito estressantes, mas aqui, com ela, as dúvidas ficavam em segundo plano, o tempo ficava mais suave, deslizava por ele, que só olhava para ela e passava as mãos nos seus cabelos. Nesses momentos, todo o resto ficava com a importância que tinha realmente. Nada exagerado, as prioridades da vida dele tornavam-se claras e, sabia disso com certeza, em primeiro lugar estava ela, deixa-la feliz.
Ela acordou, de leve, olhou para ele, perguntou as horas e tentou se levantar.
- Não – disse ele – fique aqui abraçada comigo mais um pouco.
Ele a puxou de volta, ela deitou em seus ombros, com ele passando as mãos pelos cabelos dela. Ficaram em silêncio por alguns minutos, só sentindo a presença um do outro, sentindo a paz que um trazia ao outro.
Eles levantaram, precisavam. Ela deu-lhe um beijo e foi tomar banho, enquanto ele ainda ficava na cama por mais alguns minutos.
Saindo, ele fechou a porta e despediu-se dela. O tempo parecia voltar a passar no ritmo normal. A lembrança e a certeza de vê-la de novo faziam o dia passar mais fácil.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
E aqui estamos,
Até aqui chegamos,
Por nossos próprios pés,
Cada passo a mais,
Deixando para trás um revés
E aqui estamos,
Até aqui chegamos,
Maiores a cada passo,
Maiores a cada abraço.
Cafunés, beijos, carinhos,
Agindo como dois bobinhos,
Trocando entre nós segredos
Destruindo nossos medos.
Aqui estamos
Aqui chegamos
E ainda iremos mais
Cada passo a mais
Deixando para trás um revés
Maiores a cada passo,
Trocando entre nós segredos
Maiores a cada abraço,
Destruindo nossos medos.
Te amo Bru ♥
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Sobremesa
Ele levanta-se antes de sua mulher. A rotina já definida, ela toma banho primeiro, e faz o café enquanto ele toma banho. Cada manhã uma cópia exata da anterior. Até mesmo nos finais de semana eles agem assim. Força do hábito. Eles já nem percebem a repetição. Quarto, banheiro, cozinha, quarto. Cueca, calça, camisa, meias e sapatos só depois do café. Ela sai, ele sai, casa esvazia-se...
Ele chega ao trabalho, dia de reunião, o chefe o parabeniza pelos resultados. “Bônus grandes esse ano”, diz ele. Que fará com o dinheiro? Mais uma viagem pra Europa...? Talvez só deixe parado na poupança. Reunião termina tarde, só pode sair pro almoço quando o restaurante de sempre já está fechado. A lanchonete do outro lado da rua não parece tão ruim, pensa ele. Ele entra, o lugar vazio, pede um sanduíche qualquer. A comida é ruim, a garçonete é boa, nem tudo na vida é perfeito. Ele sai, fuma um cigarro, a vida não muda muito de cor vista através da fumaça. A garçonete diz tchau para ele, amigável, muito amigável. Aquele decote... Ele volta de uma vez para o trabalho.
Os dias se seguem e ele continua voltando à lanchonete. Visão triunfa sobre o paladar. Ele flerta com a garçonete, ela flerta de volta. Dias se passam.
Ele termina sua comida, o celular vibra, a esposa chegará a casa ainda mais tarde hoje. Ele sai, fuma, volta.
- Que horas você sai hoje?
Finalmente ele pede a sobremesa.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Corpo sobre Corpo
Estávamos juntos há uns três meses. Eu ficava inebriado na presença dela. Morávamos no mesmo prédio, ela passava quase todas as noites em meu apartamento. Tínhamos uma relação completamente carnal. Às vezes ela sumia por alguns dias, geralmente nos finais de semana, nunca me avisava e eu não me importava.
Aquela vez eu me importei, não sei exatamente o porquê. Ela sumiu na quarta e só reapareceu na terça feira. Decidi então que deveria pedi-la em namoro. Convenci-me que a amava. Decidi que faria isso no sábado e ela sumiu novamente. Quase perdi a coragem. Quando ela voltou, na terça, fizemos amor e já na cama, ela fumando seu habitual cigarro eu fiz a proposta.
- Sabe, acho que deveríamos namorar...
Falei como se não me importasse tanto.
- Acho que não. Pra que?
Não era bem a reação que eu queria. Sentei-me, encostado na cabeceira da cama.
- Eu te amo.
Ela me olhou por alguns segundos.
- Não ama não...
- O quê?
Ela não poderia ter dito aquilo. Pegou minhas mãos e as foi passando pelo seu corpo nu.
- Não me ama não. Ama meu corpo. Meu corpo que fica sobre o seu quase todas as noites. E quer garantia de tê-lo só para si. Não se finja de ingênuo.
Ela desarmou-me. Mas eu tinha sido ingênuo, realmente acreditei que a amava. 22 anos e ainda ingênuo como uma criança.
- Não precisa me dizer nada...
Beijou-me e subiu em cima de mim.
domingo, 10 de outubro de 2010
Antiga (?) Sociedade
Em uma terra distante vivia uma estranha sociedade. Sociedade essa que determinava algumas regras de convívio, embora não punisse aqueles que não as cumprissem. Pensando bem, não eram regras de convívio, não eram mandamentos, eram indicações, conselhos. Coisas básicas de fraternidade. Não entremos no mérito dessas indicações. Pois bem, tal sociedade não punia quem não seguia tais indicações e não agraciava quem as seguia. O livre arbítrio era total. Essa sociedade tinha regras, mas essas agiam independentes das indicações que falo.
Pois bem, me equivoquei quando disse que as pessoas que seguiam tais indicações não eram agraciadas. Elas eram. Eram mortas e comidas pelos líderes daquela sociedade, tendo para o resto da sociedade uma morte honrada e justa, pois se acreditava que quando os líderes as devoravam estavam absorvendo as qualidades que levavam as pessoas a conseguir seguir as indicações. Raramente um dos líderes era devorado pelos seus semelhantes.
Tal fato lentamente fez essa sociedade decair. Lentamente as pessoas que integravam a sociedade perceberam que era muito mais benéfico não seguir tais indicações e continuar vivo. De que serve a honraria quando se está morto, afinal? Lentamente a sociedade começou a declinar, cada vez mais.
Já no final, a sociedade tornou-se o caos. No final das contas todas as regras e indicações pararam de ser seguidas e os poucos que ainda mantinham sua sanidade fugiram. A sociedade se destruiu sem seus sacrifícios, engolida na própria destruição.