segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Dois/Um

Jogou-a na cama, fazendo ela deitar-se e deitou por cima dela. Ficaram assim por algum tempo, sentindo o corpo um do outro, ele tentando não deixar todo seu peso por cima dela, um pouco de medo de esmagar aquele corpo mais novo, mais leve e frágil. Ela gostava de sentir o corpo dele por cima dela, a pressão do peso dele, o contato dos corpos, era quase uma overdose de contato. Ele respirava pesadamente no pescoço dela e ela gemia baixinho enquanto os dois, ele agora sem medo, apertavam-se as mãos e os corpos, confundindo onde ele acabava e ela começava. A ansiedade que os dois sentiam dando lugar ao prazer.

O ritmo aumentava, aumentava e aumentava, e a respiração dos dois começava a tornar-se ofegante. O ritmo já no ápice e os dois apertavam-se ainda mais, como se tentassem grudar seus corpos um no outro. O êxtase chega: intenso e explosivo. O ritmo diminui e a respiração lentamente volta ao normal. E os corpos continuam unidos. Dormem assim, um junto ao outro.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Tempo

Sentado na cama, ele observava-a dormindo. A falta de preocupação no rosto, uma paz. Os últimos dias tinham sido muito estressantes, mas aqui, com ela, as dúvidas ficavam em segundo plano, o tempo ficava mais suave, deslizava por ele, que só olhava para ela e passava as mãos nos seus cabelos. Nesses momentos, todo o resto ficava com a importância que tinha realmente. Nada exagerado, as prioridades da vida dele tornavam-se claras e, sabia disso com certeza, em primeiro lugar estava ela, deixa-la feliz.

Ela acordou, de leve, olhou para ele, perguntou as horas e tentou se levantar.

- Não – disse ele – fique aqui abraçada comigo mais um pouco.

Ele a puxou de volta, ela deitou em seus ombros, com ele passando as mãos pelos cabelos dela. Ficaram em silêncio por alguns minutos, só sentindo a presença um do outro, sentindo a paz que um trazia ao outro.

Eles levantaram, precisavam. Ela deu-lhe um beijo e foi tomar banho, enquanto ele ainda ficava na cama por mais alguns minutos.

Saindo, ele fechou a porta e despediu-se dela. O tempo parecia voltar a passar no ritmo normal. A lembrança e a certeza de vê-la de novo faziam o dia passar mais fácil.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

E aqui estamos,

Até aqui chegamos,

Por nossos próprios pés,

Cada passo a mais,

Deixando para trás um revés

E aqui estamos,

Até aqui chegamos,

Maiores a cada passo,

Maiores a cada abraço.

Cafunés, beijos, carinhos,

Agindo como dois bobinhos,

Trocando entre nós segredos

Destruindo nossos medos.

Aqui estamos

Aqui chegamos

E ainda iremos mais

Cada passo a mais

Deixando para trás um revés

Maiores a cada passo,

Trocando entre nós segredos

Maiores a cada abraço,

Destruindo nossos medos.


Te amo Bru ♥

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Sobremesa

Ele levanta-se antes de sua mulher. A rotina já definida, ela toma banho primeiro, e faz o café enquanto ele toma banho. Cada manhã uma cópia exata da anterior. Até mesmo nos finais de semana eles agem assim. Força do hábito. Eles já nem percebem a repetição. Quarto, banheiro, cozinha, quarto. Cueca, calça, camisa, meias e sapatos só depois do café. Ela sai, ele sai, casa esvazia-se...

Ele chega ao trabalho, dia de reunião, o chefe o parabeniza pelos resultados. “Bônus grandes esse ano”, diz ele. Que fará com o dinheiro? Mais uma viagem pra Europa...? Talvez só deixe parado na poupança. Reunião termina tarde, só pode sair pro almoço quando o restaurante de sempre já está fechado. A lanchonete do outro lado da rua não parece tão ruim, pensa ele. Ele entra, o lugar vazio, pede um sanduíche qualquer. A comida é ruim, a garçonete é boa, nem tudo na vida é perfeito. Ele sai, fuma um cigarro, a vida não muda muito de cor vista através da fumaça. A garçonete diz tchau para ele, amigável, muito amigável. Aquele decote... Ele volta de uma vez para o trabalho.

Os dias se seguem e ele continua voltando à lanchonete. Visão triunfa sobre o paladar. Ele flerta com a garçonete, ela flerta de volta. Dias se passam.

Ele termina sua comida, o celular vibra, a esposa chegará a casa ainda mais tarde hoje. Ele sai, fuma, volta.

- Que horas você sai hoje?

Finalmente ele pede a sobremesa.