domingo, 12 de setembro de 2010

Tela brilhante

Sozinho, sento-me em frente a esta tela brilhante e colorida nesse dia acinzentado. As palavras espalhadas pela tela me fazem companhia. Tenho coisas a fazer, mas não as faço. Preguiça, eu diria. Não faço nada de interessante. As letras que me fazem companhia não são muito interessantes. O azul, vermelho, amarelo e verde sempre presente em minha tela zomba de mim. Dá-me acesso a tudo, ainda sim, fico aqui sem fazer nada. É somente mais um dia com coisas que deveriam ser feitas, mas que ficarão para mais tarde. Talvez mais tarde ainda hoje, talvez somente amanhã ou talvez nunca. Não sei. O assunto não me interessa muito, então não penso em demasia sobre o fato. Sinto-me cansado desse nada, mas aprecio a minha companhia brilhante dessa tela. Ah, essa ilusão de estar acompanhado. Fantasmas eletrônicos, sozinhos junto comigo. Deveria fazer algo com alguma utilidade. Mas no final, que importa? O dia continua cinza, mas agora a tela está negra, desliguei-a. Não sei o porquê na verdade, acho que me irritei com aquelas letras. Azul, vermelho, amarelo, azul, verde e vermelho. Uma porta para tudo. Nem sei por onde começar, então, não começo. Desisto. Por hora.